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Open Banking: Um Contributo Para Uma Banca Mais Responsável? [PT]

“Tesla has suspended vehicle purchases using Bitcoin. We are concerned about rapidly increasing use of fossil fuels for Bitcoin mining and transactions, especially coal, which has the worst emission of any fuel.”

Elon Musk, 12 de Maio de 2021

Com este tweet, Elon Musk voltou oficialmente atrás na sua decisão e anunciou que a Tesla deixaria de aceitar Bitcoin como pagamento, devido a preocupações ambientais resultantes do excessivo uso de energia para mineração desta moeda virtual. Isto provocou uma queda de 30% na Bitcoin e vem alertar as empresas para uma consciencialização ambiental crescente imposta nos concelhos de administração das grandes empresas e pelos clientes cada vez mais informados e exigentes.

No setor financeiro, há vida para além das criptomoedas – o open banking é uma revolução silenciosa que pode ser um ponto de viragem na estratégia das Instituições Bancárias e na sua relação com os seus clientes. Podem os bancos incluir o open banking no epicentro da estratégia de sustentabilidade ambiental?

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Podem os bancos incluir o open banking no epicentro da estratégia de sustentabilidade ambiental?

 

O open banking refere-se a um sistema bancário aberto. Nesta lógica, os clientes são os verdadeiros donos das informações sobre si e não os bancos, podendo estes assim compartilhar os seus dados, caso queiram. Essa partilha é possível através de plataformas completamente digitais, chamadas de Application Programming Interface (APIs). E essa partilha de dados é vantajosa em diversas situações, como, por exemplo para pedir um empréstimo.

Atualmente, a nossa sociedade está rodeada por serviços que estão constantemente a ser reinventados para acompanhar a evolução do mundo. Mas será que estas evoluções, nomeadamente as relacionadas com o open banking, trazem consigo vantagens ambientais ou por outro lado, são medidas que prejudicam o ambiente?

Vamos assim analisar algumas das mudanças potenciadas pelo open banking no setor da banca.

As Vantagens

Primeiramente, o open banking contribuiu para uma maior sustentabilidade na gestão de processos através da digitalização dos mesmos, existindo menos burocracia para as instituições financeiras (como por exemplo, na abertura e fecho de contas). Contudo, a maior vantagem nasce para as Pequenas e Médias Empresas (PMEs). As PMEs passaram a ter a possibilidade de recorrer a prestadores de serviços financeiros alternativos para uma série de produtos e serviços, tais como pagamentos e empréstimos. A Diretiva de Serviços de Pagamentos Revista (PSD2) e o open banking capacitaram esta mudança, e só será possível virar o jogo caso os bancos criem produtos e serviços que resolvam os pain points das PMEs e melhorem o seu nível de serviço.

A segunda vantagem está relacionada com o alcance de iniciativas verdes e com a diminuição das taxas do consumo de carbono. No caso do open banking, esta tecnologia ajuda os consumidores a acompanharem a sua pegada ecológica e, consequentemente, a mudarem o seu comportamento de uma forma significativa, desde a compra de produtos mais conscientes pelo ambiente até ao investimento em empresas sustentáveis. À medida que este setor cresce a perceção dos dados financeiros ajuda a desempenhar um papel importante na luta contra as alterações climáticas e assim os bancos e as instituições financeiras são forçados a adotar medidas para garantir que os seus sistemas conseguem acomodar os riscos relacionados com a sustentabilidade e garantir que os investimentos e os empréstimos chegam a iniciativas verdes e de baixo impacto carbónico. A criação de trackers de carbono criados neste segmento de serviços traz vantagens para muitos bancos, que oferecem contas bancárias ecológicas e ajudam as pessoas a rastrear e compensar a sua pegada de carbono. Estas ferramentas aproveitam a abertura e acesso consentido aos dados financeiros para ajudar as pessoas a compreender o seu impacto ambiental, as quais têm demonstrado uma procura crescente.

Outra grande vantagem do open banking é a contribuição para a educação financeira dos utilizadores, dado que a tecnologia permite organizar informação que previamente não existia de forma consolidada, como os gastos mensais em compras e pagamento de serviços, e assim fazer com que a informação chegue com qualidade para pessoa.

As Desvantagens

Relativamente às desvantagens ambientais que o crescimento deste sector trouxe, não são tantas como as vantagens, mas existem alguns aspetos a salientar. O primeiro aspeto é o investimento redobrado que tem que ser feito em tecnologia para este software específico, para que esta plataforma seja segura e todos os utilizadores se sintam confiantes durante a sua utilização. Este aspeto de segurança tem que ser mantido e assegurado constantemente em aspetos como: atualização constante da ferramenta, verificação de autorização de entidades e sigilo de dados pessoais/bancários.

Outra desvantagem ambiental está presente no segmento das criptomoedas. Os utilizadores de Bitcoin salientam as vantagens desta nova moeda, que, na sua perspetiva, é muito mais interessante do que as moedas tradicionais. No entanto, uma transação em Bitcoin consome quase 100kWh, o que equivale a uma lâmpada incandescente (lâmpada tradicional) ligada durante 3 meses. Ou seja, é uma grande quantidade de eletricidade para uma operação que se faz frequentemente.

Existe ainda uma desvantagem ambiental provocada indiretamente por este setor, que é o facto de este contribuir para o aumento do “lixo” eletrónico. O uso deste tipo de serviço leva a sociedade a querer acompanhar também as tendências tecnológicas, e por isso a adquirirem equipamentos elétricos e eletrónicos mais recentes. Quando esta substituição de equipamentos é feita, deve haver a preocupação de implementar a reciclagem deste “lixo” eletrónico.

A redução da pegada do espaço físico é compensada, assim, pelo aumento da pegada no espaço digital. Nesta perspetiva de sustentabilidade, segundo a Accenture, a migração para soluções em Cloud pode reduzir as emissões globais de carbono em 59 milhões de toneladas de CO2 por ano. Uma investigação da Accenture calcula que esta redução representa uma redução de 5,9% nas emissões totais relativas ao uso de tecnologia. É o equivalente a tirar 22 milhões de carros da estrada. Uma redução massiva que nos pode ajudar a cumprir os nossos compromissos coletivos em matéria de alterações climáticas.

 

Em suma, são notórias as vantagens que o open banking consegue trazer para o meio ambiente, e é importante não esquecer que os pontos que este serviço tem menos ecológicos podem ser transformados e substancialmente melhorados, através do uso de táticas a consciencialização dos utilizadores e do impulsionamento de iniciativas verdes.

Dificilmente um tweet de qualquer cliente bancário a exigir uma política ambiental mais consciente por parte do seu Banco terá o efeito dos tweets de Musk. A consciencialização coletiva dos consumidores – potenciada pelo open banking – pode e deve mudar a indústria. Será, certamente, com muitos tweets, críticas e outras formas de luta virtual dos nossos tempos que conseguiremos deixar o mundo um pouco melhor do que o encontrámos.

 

Inês Monteiro – Service Management Coordinator

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